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sábado, 10 de dezembro de 2011

Mercado será autuado pela venda de produtos agrícolas contaminados a partir de 2013

Supermercados passarão a ser fiscalizados e autuados pela venda de produtos agrícolas contaminados por agrotóxicos. Um protocolo com detalhes sobre essa ação começa a ser preparado nos próximos meses pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deverá ser colocado em prática a partir de 2013. A fiscalização será feita por vigilâncias locais e laboratórios oficiais.

A ação é apontada pela Anvisa como uma das estratégias para tentar conter o uso abusivo e incorreto de agrotóxicos nos alimentos. Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para) da Anvisa revela que 27,9% das amostras apresentavam irregularidades. Pelo terceiro ano consecutivo, o pimentão foi o responsável pela maior número de amostras contaminadas: 91,8%. Morango e pepino vêm em seguida, com 63,4% e 57,4%.

"Os resultados são muito preocupantes. O consumo de alimentos contaminados aumenta o risco do aparecimento de doenças como câncer, problemas neurológicos e endócrinos", afirmou o gerente geral de toxicologia da Anvisa, Luiz Claudio Meirelles. Os problemas, completou, são constatados a longo prazo. "Esses produtos trazem riscos. Daí a importância de que a produção se enquadre nos parâmetros técnicos".

Esta é a 10ª edição da análise. As irregularidades encontradas são de uso de agrotóxicos em quantidade excessiva ou não autorizados para determinada cultura. Das amostras avaliadas, apenas a batata não apresentou nenhum desvio de qualidade. Em 2002, quando a primeira avaliação foi feita, 22,2% das amostras apresentavam irregularidades.

A Associação Nacional de Defesa do Vegetal (Andef), garante que resultados do Para não representam uma ameaça à saúde. A associação afirma que boa parte das amostras foi reprovada porque foi identificado o uso de agrotóxico não registrado. "O agricultor muitas vezes têm duas culturas e usa o mesmo produto. Isso não significa que ele oferece mais riscos", afirmou Guilherme Guimarães, técnico de regulamentação da Andef.

Os resultados do trabalho serão também enviados para Ministério da Agricultura. A ideia é que, a partir do que foi encontrado, a Pasta tome algumas medidas, consideradas essenciais pela Anvisa. Entre elas, a melhora na qualidade do sistema para identificação de produtores que usam agrotóxicos de forma incorreta. "Há ainda o que se melhorar nesta área. Parte significativa dos produtos não consegue ser rastreada".

Lígia Formenti
Em Brasília

domingo, 20 de novembro de 2011

Sou contra Belo Monte, mas o celeuma está errado!

Sou contra Belo Monte, mas acredito que o celeuma está formado sobre o problema errado. O que Belo Monte representa na verdade é sim a manutenção de uma sociedade ou de uma civilização estabelecida sobre o pilar do consumo, do mercado financeiro, da livre iniciativa descontrolada. Principalmente de um mundo onde valores e princípios são relativizados pelo poder econômico. E aí que mora o problema. Este poder gera e mantém um padrão calcado na livre exploração dos recursos naturais e sociais, acarretando o sequestro de todas as instituições humanas gestoras de nossa sociabilidade pela força do dinheiro. O capital que corrompe governos, manipula cidadãos, desvirtua ONG´s, compra as lideranças sociais, desmantela a família, relativiza os princípios religiosos, deturpa as diferente culturas.
Uma coisa tenho certeza, a manifestação dos artistas de televisão contra Belo Monte não tem legitimidade NENHUMA, um conjunto de pessoas que foram criadas e expostas pela mídia justamente para reproduzirem o fundamento deste sistema deturpado, artistas que fazem novelas que suprimem a capacidade de pensar, de refletir, que reproduzem nestas histórias teledramáticas justamente as distorções sociais que queremos combater. Pessoas que ganham dinheiro por forjarem uma imagem que depois é utilizada para vender produtos, propagandas que criam desejos e necessidades que irão enriquecer uns poucos e manter milhões sequestrados pela vontade do consumo. Não tenho dúvida alguma, infelizmente o ganha pão destas pessoas é deixarem que suas imagens de mocinhos e mocinhas confiáveis seja explorada pela máquina monstruosa das corporações, que por nada ou ninguém são detidas ou limitadas no seu poder.
Sou contra Belo Monte e sou contra ter que todo dia andar de carro individual para chegar ao meu trabalho, pois infelizmente a cidade que eu resido não possui transporte público capaz de me levar ao trabalho sem que eu tenha que para isso dispor de 5 horas diárias da minha vida, apesar de viver na maior cidade do sétimo pais do mundo em riqueza.
Sou contra Belo Monte mas penso que esta energia irá abastecer uma serie de industrias que hoje estão no nosso dia a dia, como abrir mão da indústria eletro-intensiva como a de alumínio que está presente em minha casa, em meus eletrodomésticos, em minha lâmpada, em meu computador, nas bicicletas dos ambientalistas e  em outros diversos pontos da vida contemporânea? Como dispor do petróleo hoje, agora, nesse momento?Como dispor da indústria automotiva com a politica cretina de falta de transporte público? Como podemos conviver com a ideia de que nós, pessoas que somos contra Belo Monte, temos dificuldade em visualizar que nosso padrão atual de consumo é modelo para uma quantidade enorme de pessoas que também querem dispor das mesmas facilidades, afinal , facilidades numa sociedade como a nossa é privilegio de poucos e estes poucos tem grande vantagem em se inserirem em algum ponto deste sistema para gerar novos recursos que permitirão novos consumos e que por fim trará e manterá a diferenciação social. O diferença de oportunidade no consumo é a base da desigualdade social. Quanto menos se consome menos tem capacidade de gerar receita e menos chance de alguma evolução social. Enquanto uns com Ipad, Itouch, Imach, muitos outros são força de trabalho pesado e muitas vezes degradante.
Ser contra Belo Monte não vai mudar isso, na verdade sou contra mas entendo as razões de sua construção, dentro das possibilidades sócio políticas o impacto será reduzido. Mas e os povos indígenas que serão prejudicados? Penso que as vitimas dessa sociedade são muito mais numerosas, milhares de comunidade estão ameaçadas neste momento só neste Estado em que vivo centenas de comunidade quilombolas são vitmas da exploração do território pela especulação imobiliária, no litoral, ou pela especulação das terras agrícolas e modelo de produção agro-excluidor. Comunidades caiçaras então, nem se fale, as que sobreviveram estão esfaceladas pelo contato com a violência, falta de apoio na saúde e educação e outros problemas como as drogas. E os índios? Ah! os índios são um problema parte, estes com toda certeza são o ponto mais fraco desta corda. As comunidades indígenas estão espalhadas por beiras de estradas de todo este pais. Todos os dias vejo reportagens sobre a morte de índios, Guarani, Kaiowa, crianças Terena, e toda sorte de etnias são assassinadas ou vítimas de agressões diretas, por que as pessos não estão preocupadas com isso eu me pergunto? Aqui mesmo na cidade de São Paulo, perto do pico do Jaraguá, há uma comunidade que não recebe a atenção dos indíos do Xingu (não que estes não mereçam, muito pelo contrario) mas quem não atravessou o sistema Anhanguera-Bandeirante-Rodoanel a 100, 120 KM/h e nunca se deu conta que ali, do seu ladinho, uma comunidade indígena com uma historia muito bonita, um pajé muito respeitado pelos seus trabalhos espirituais, possa se encontrar em situação de miséria ABSOLUTA, uma situação completamente degradante com total insegurança social e jurídica. Mas que saco, esta conversa tá ficando chata, eu, contra Belo Monte, não consigo agir no meu dia a dia! Nem de baixo do meu nariz! E acho que esta reflexão possa servir para parte substancial dos brasileiros! Quantas comunidade indiginas existem pelo nosso caminho. No fim de semana vamos pra Parati, Ubatuba, Bertigo, Guarujá, Itanhaem e os índios, que estão ali do lado, nem por um segundo passam por nossas cabeças! Isso vale pro carioca também! Quantas comunidades indígenas estão escondidas no meio do caminho para Buzios? Não sei precisar, mas ao que eu conheço, todos os Estados, Paraná Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espirito Santo, Minas Gerais, Bahia e todos os demais, centenas ou milhares de comunidades remanescente de povos indígenas estão invisíveis a opinião pública. Será que ser contra Belo Monte vai favorecer a visibilidade destes povos, acredito que não!
Me parece que o problema é mais embaixo, é um tema que envolve paixões e... ...muita politica. Continuo sendo contra mas, não me manifestarei, vou concentrar minha energia na critica e na modificação de pontos que considero mais acertados para alterar este sistema. Mudanças sociais que, se ocorrerem, poderão justamente mudar padrões da sociedade e as decisões de governantes e aí, realmente, outras Belo Montes não mais serão necessárias.